“O Grupo de Vila Franca está sempre unido para enfrentar os desafios”


Vasco Pereira passa testemunho a Rodrigo Dotti
Rodrigo Dotti sucede a Vasco Pereira como cabo do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira. A passagem de testemunho terá lugar na corrida de “terça-feira nocturna” da Feira de Outubro (dia 6). Vasco Pereira completa oito anos na liderança do Grupo, assume que é uma responsabilidade e uma função desgastante e entendeu que era chegada a hora de passar o testemunho.
Rodrigo Dotti foi escolhido pelos seus companheiros para este desafio. Aos 23 anos, filho do antigo cabo Vasco Dotti e irmão do também forcado Guilherme Dotti, Rodrigo está ciente destas novas responsabilidades, realça a união que existe no Grupo de Vila Franca e tem algumas ideias próprias para os próximos anos como cabo dos Amadores vila-franquenses.
Conseguir mais corridas e celebrar da melhor maneira os 95 (2027) e os 100 anos do Grupo (2032), são alguns dos principais desafios para o novo cabo dos Forcados de Vila Franca de Xira. Pode ler esta entrevista na íntegra na edição de Setembro da revista Vida Ribatejana.
Vida Ribatejana – Há 8 anos, o Vasco Pereira assumiu a liderança do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e tinha, certamente, um conjunto de objectivos para esta função de cabo do grupo, que representa sempre uma grande mudança em termos de responsabilidades. Que balanço faz o Vasco Pereira destes 8 anos e até que ponto os objectivos e as expectativas traçadas em 2018 foram alcançadas?
Vasco Pereira – É um pouco ser juíz em causa própria, mas um dos grandes objectivos era manter a linha do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que não houvesse uma descida de nível daquilo que era o normal no Grupo de Vila Franca.
E isso foi cumprido. Passados dois anos, com o atravessar da pandemia, foram surgindo novos objectivos, o principal foi criar forcados porque, no início, em 2019, muitos já estavam em final de carreira e outros saíram por outros motivos. Isso resultou numa necessidade de criar outra geração de forcados.
E, nesse aspecto, cumprimos esse objectivo e chegámos a 2026 com esta geração que tem toda entre 22 a 24/25 anos, são sete/oito elementos da mesma geração, com muita competência dentro da praça. Mais importante ainda, com boas qualidades humanas. E, portanto, nesse aspecto esse tornou-se o principal objectivo passado algum tempo e foi cumprido.
Esses objectivos correram bem, foram cumpridos. O que é que correu menos bem?
Vasco Pereira – Há sempre coisas que correm menos bem. Também vim para cá muito novo, se calhar com pouca noção de algumas coisas. Coisas que correram menos bem, mas que também serviram de aprendizagem, não só para mim, mas também para o Grupo, para todos.
Ninguém é cabo sozinho, os elementos que são mais velhos em determinadas temporadas ajudaram muito e não só nos processos de tomada de decisão, mas também na organização de eventos e de decisões que são tomadas. Foi um processo de aprendizagem contínuo. Essas coisas que não correram bem, muitas serviram para aprender e para corrigir logo a seguir e para ganhar esse rumo.
Rodrigo Dotti, acha que a comunidade de Vila Franca de Xira continua a ter um sentimento positivo e de carinho para com os seus forcados ou muitos já não se interessam por isso e alguns até criticam a tauromaquia?
Rodrigo Dotti - As pessoas gostam dos forcados e acho que somos bastante acarinhados em Vila Franca de Xira. As pessoas também gostam dos forcados porque não fazemos mal nenhum aos toiros, os toiros é que nos fazem a nós. Mas acho que somos bastante bem recebidos. Claro que temos também pessoas que não gostam, mas na generalidade somos bastante acarinhados.
A dada altura, o Vasco Pereira explicou ao Grupo que não pretendia continuar como cabo, começaram a conversar sobre isso e num determinado momento fizeram a eleição do novo cabo. Há uma predisposição de alguns elementos ou é sempre uma votação com tudo em aberto?
Rodrigo Dotti – É uma votação com voto secreto, cada um escolhe aquele que entende que tem mais capacidade. Eu não fui logo o primeiro a ser escolhido. Foi o meu irmão (Guilherme), que expôs as suas razões e não quis aceitar. E decidimos ir outra vez a votação, igualmente em voto secreto, e fui eu o escolhido. Fizemos tudo de uma forma muito pacífica e com todos amigos uns dos outros.
O que é que o Rodrigo pensou nessa altura? Que estava “entalado”?
Rodrigo Dotti – Ao início pensei que é uma grande responsabilidade, sou uma pessoa muito nova, o Vasco também era. É um grande peso que temos aos ombros, mas olhando neste momento, já passados alguns meses, estou mais tranquilo. Tive uma ajuda de gigante do meu pai, que me tem dado imensa força. É olhar para a frente e estou com bastantes ganas de começar o desafio.
Sente que o Grupo está unido e que pode contar com o apoio da maioria dos elementos, desde logo do Vasco Pereira?
Rodrigo Dotti - Claro que sim. Acho que a união é sempre o ponto mais forte de qualquer grupo de forcados. Pode-se trabalhar a união um bocadinho mais, pode-se unir um bocadinho mais, mas o Grupo de Vila Franca está sempre unido para enfrentar os desafios. Tanto os mais novos como os mais velhos, acho que estamos a ir no caminho certo.
Nestes meses, o Rodrigo Dotti já pensou certamente nos objectivos e na estratégia que vai tentar seguir no comando do Grupo. Quais vão ser os primeiros objectivos quando assumir a responsabilidade de ser cabo do Grupo de Vila Franca?
Rodrigo Dotti - Um dos principais será tentar conseguir mais corridas. Vai ser difícil, sabemos que, hoje em dia, existem muitos grupos e poucas corridas, mas há que chatear o máximo que conseguirmos e tentarmos pelo menos garantir que nos próximos anos acabam por voltar ao Grupo de Vila Franca. E, depois, será tentar meter os forcados no ponto mais alto e puxá-los para cima e que nunca se sintam desmotivados.
E trabalhar os miúdos, tentando colocá-los de vez em quando para que eles não se vão embora e começar a trabalhar numa nova renovação do Grupo. Sabemos que hoje em dia a carreira dos forcados é cada vez mais pequena e temos que estar sempre preparados e a trabalhar nesse aspecto.
Por que é que o Vasco Pereira entendeu que era chegada a hora de deixar a função de cabo?
Vasco Pereira - Primeiro porque este e o meu oitavo ano como cabo, estou dentro da esperança média de vida de um cabo. Tenho 28 anos, comecei muito cedo. É um cargo muito exigente, em que temos que estar aqui com tudo todos os dias.
A preocupação é diária e a resolução de problemas também é quase diária. Aquilo que eu queria mais é que houvesse uma geração muito capaz. A minha decisão já estava tomada vai fazer dois anos. E com a temporada que fizemos no ano passado e com as soluções que o Grupo conseguiu mostrar, fiquei com essa certeza.
Confiava que o Grupo tinha boas soluções para o futuro?
Vasco Pereira - Sabia que havia boas soluções, que era um grupo unido, quase todos na mesma idade. À parte de serem grandes forcados, são grandes pessoas e a prova disso foi a transição que foi feita, que foi tranquila e natural. O meu trabalho está feito.
Para esta transição, que conselhos já deu ou vai dar ao Rodrigo Dotti?
Vasco Pereira – Tento sempre mostrar como é que eu penso e dar-lhes o racional que está por detrás daquela decisão importante. As situações que o Rodrigo vai encontrar serão, provavelmente, diferentes. O conselho é estar de cabeça fria, tentar ser o mais justo possível e ter sempre o bem do Grupo como o objectivo final.

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