LNEC propõe drenos e encostas sustentadas para recuperar zona “destruída” de Arruda


Cerca de 60 pessoas assistiram à apresentação de um estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil sobre a “destruição” causada na zona do Lapão pela sucessão de tempestades do último Inverno. O documento constata que os solos argilosos são muito frágeis em casos de saturação de água e recomenda a criação de um sistema de drenagem e de algumas estruturas de sustentação das encostas da ribeira das Eiras.
Residentes e proprietários querem saber o que fazer a seguir, mas a Câmara de Arruda e o geólogo do LNEC recomendam que se espere por estudos geotécnicos mais aprofundados. Filipe Jeremias, geólogo e investigador principal do LNEC, sustentou que esta é uma situação de “elevada complexidade”, em que os terrenos ficaram mais fragilizados pelos fenómenos do último Inverno (saturação de água e deslizamentos) e podem sofrer novos problemas no próximo Inverno, mesmo que as chuvas não sejam tão abundantes.
O especialista observou que os terrenos argilosos do vale da ribeira das Eiras têm características muito próprias que fazem com que, em situações de muita pluviosidade, fiquem transformados quase em “papa” e cheguem a ficar quase líquidos. Nessas condições, os deslizamentos são frequentes e agravaram-se no contexto climatérico do último Inverno. “Mesmo com menos chuva, podemos ter danos iguais ou maiores do que tivemos em 2026.
Nada nos diz que as ‘cicatrizes’ já existentes não possam continuar o seu caminho até à ribeira das Eiras”, avisou o geólogo do LNEC, reconhecendo que “este é um problema de elevada complexidade pela sua extensão e pela sua magnitude”. Depois, Filipe Jeremias resumiu as considerações finais do estudo e apresentou algumas recomendações, frisando que o LNEC não faz projectos, nem estudos geotécnicos mais aprofundados, que a Câmara terá que contratar com empresas da especialidade.
“Não recomendo, sem trabalhos prévios de estabilização das encostas, que se vá gastar dinheiro a construir habitações ou a reconstruir estradas, porque há uma forte probabilidade desse dinheiro ser gasto em vão”, alertou o geólogo, frisando que, antes, “é preciso tratar dos problemas a montante” e que, “sem esses problemas resolvidos, o que se fizer pode não servir para nada”.

Os residentes e proprietários, que nos últimos meses têm pressionado a Câmara devido ao impasse da situação e à falta de medidas, ouviram algumas explicações que já esperavam porque conhecem a zona e os seus antecedentes, mas ouviram também algumas conclusões que os deixaram ainda mais preocupados. E vários foram os que questionaram o que fazer, até porque obras individuais dificilmente resolvem o problema, se os vizinhos não tomarem também medidas.
Renato Batalha, director do Departamento de Urbanismo da Câmara de Arruda, frisou que a revisão do Plano Director Municipal está em fase de conclusão e identifica várias zonas do concelho onde se verificam situações de “instabilidade de encostas”, onde “novas construções não vão ser permitidas” e onde casos de alteração, ampliação ou recuperação de edifícios existentes “vão exigir ensaios/estudos geotécnicos”.
“Infelizmente há algumas habitações que não podem ser recuperadas. Há pessoas que nos perguntam se não podem ter uma casa de madeira pré-fabricada e custa-nos dizer que, neste momento, sem estudos mais aprofundados, não é possível”, referiu Renato Batalha. Já Carlos Alves, presidente da Câmara de Arruda, explicou que o município sempre entendeu que este estudo do LNEC era fundamental para definir os próximos passos a dar na situação do Lapão e noutras que se verificam no concelho.
“As dificuldades são muitas, era preciso fazer esta caracterização. A situação é muito complexa e as dificuldades financeiras são outro problema. Obviamente que a Estrada do Lapão vai ser refeita. Para mim era já hoje, mas temos que esperar pelos estudos geotécnicos. Não podemos forrar a encosta com taludes, seriam precisos milhões de euros que a Câmara não tem”, concluiu o autarca do PS, considerando que todos devem estar unidos e alinhados nos próximos passos a dar.

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