Crise dos combustíveis e o muito ainda por explicar

Como já se vem tornando um hábito há perto de uma década, quando há uma qualquer crise internacional aumentam os preços dos combustíveis em Portugal. Sejam as crises bancárias, seja pandemia, sejam as guerras do Médio Oriente ou a invasão russa da Ucrânia, tudo serve para “explicar” o que às vezes não tem explicação.
E não tem explicação porque quando o preço do barril do petróleo sobe nos mercados internacionais poucos dias depois já os combustíveis estão a aumentar de preço em Portugal. Mas, quando os preços do petróleo descem a olhos vistos, já não é bem assim, porque os preços só se aplicam ao petróleo que chega daqui a seis meses ou porque o que conta é o preço do petróleo já refinado.
Mas então como é que é? É efeito imediato ou é efeito a seis meses. E se é a seis meses, por que é que os preços em Portugal aumentam de imediato? É isto que ninguém quer ou pode explicar em Portugal e os portugueses continuam a pagar dos combustíveis mais caros da Europa, provavelmente do Mundo.
Alguns atribuem culpas ao Governo, denunciando a alta carga de impostos sobre os combustíveis e o acréscimo de IVA que o Estado/Governo tem embolsado com esta situação. É verdade que o Governo devia estar a fazer mais para ajudar os portugueses nesta situação.
Mas, se a grande petrolífera/distribuidora portuguesa continua a apresentar sucessivos aumentos de lucros, será que não está também a ganhar muito mais com este jogo de aumenta muito e depressa e reduz pouco e devagar.
E será que as grandes distribuidoras de combustíveis que operam em Portugal não estão, como é habitual, a partilhar informação e a acertar níveis idênticos de preços, preferindo cobrar mais a concorrer pela baixa de preços.
Para uma distribuidora que vende em Espanha e em Portugal, os custos do combustível que distribui deverão ser semelhantes. Será que a diferença da carga fiscal justifica tudo ou há, também, alguma diferenciação, aproveitando o “contexto” do mercado português.
É tudo isto que devia ser devidamente apurado e investigado, ao mesmo tempo que o Governo devia pensar em cumprir o seu papel e ajudar os portugueses. Mas ajudar os portugueses será, também, atribuir poucas excepções, porque se forem aprovados apoios à aquisição de combustíveis a todos os sectores que os vão reclamando, então a onda nunca mais vai parar.
Bombeiros, instituições sociais e mais um caso ou outro podem justificar esse tratamento de excepção. Noutros casos, são os grupos do costume mais uma vez a pedir ajudas do Estado quando está mau para todos.
Saúde para Todos,
Jorge Talixa









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