Classificação das Corridas de Toiros está em consulta pública até Novembro


Foto de Ana Serra
O processo de candidatura das “Corridas de Toiros em Portugal” ao Inventário do Património Imaterial está em fase de consulta pública até 2 de Novembro. Proponentes e defensores da tauromaquia apelam à participação dos aficionados. Organizações ecologistas e de defesa dos direitos dos animais pronunciam-se contra. A proposta/candidatura partiu da Associação das Tertúlias Tauromáquicas de Portugal (ATTP), presidida por Luís Capucha, e o processo iniciou-se em 2021, com a submissão do pedido em Julho desse mesmo ano.
No ano seguinte, a Direcção-Geral do Património Cultural convidou os proponentes a juntarem mais elementos ao processo de candidatura e, já este ano, o procedimento evoluiu para a abertura de uma fase de consulta pública. A ATTP sublinha que “a Corrida de Toiros é a expressão plena da ´tauromaquia profissional´, a que representa a tauromaquia na sua forma institucional e se manifesta num conjunto de procedimentos codificados.
A sua realização decorre em recintos próprios, as praças de toiros, devidamente autorizados e fiscalizados pela entidade estatal competente”, refere a associação, frisando que o Estado “faz-se representar pelos delegados técnicos tauromáquicos e pela presença das forças de segurança que garantem a ordem pública, embora não se registem memórias de desacatos sérios ocorridos nas Corridas de Toiros”.
Em Portugal, acrescenta a candidatura, “existem vários tipos de Corridas de Toiros” e “existem outros tipos de espectáculos tauromáquicos, consagrados na Lei, que ocorrem em condições específicas consoante a sua natureza”, prossegue a ATTP, afirmando que as Corridas de Toiros têm história e expressão em 16 dos 18 distritos de Portugal continental e no arquipélago dos Açores.
A Associação das Tertúlias Tauromáquicas de Portugal tem apelado à participação dos aficionados e das suas organizações neste processo de consulta pública, com o envio de exposições ao Instituto do Património Cultural, em defesa da inscrição da “Corrida de Toiros em Portugal” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI). A ATTP e a Associação das Tertúlias Tauromáquicas do Concelho de Vila Franca de Xira (ATTCVFX) juntam mesmo um modelo de exposição a ser subscrito e enviado pelos interessados.
“Estamos perante um momento de enorme importância para a tauromaquia e para todos aqueles que a vivem, sentem e defendem. Mais do que uma tradição, a tauromaquia representa uma herança cultural, histórica e identitária, que atravessa gerações, une famílias, fortalece amizades e faz parte da vida e das raízes de muitas das nossas comunidades”, refere a ATTCVFX, frisando que, enquanto tertulianos e aficionados, “temos a responsabilidade de marcar presença e fazer ouvir a nossa voz”.
Organizações ecologistas e de defesa dos direitos dos animais pronunciam-se contra, como é o caso do Partido Ecologista “Os Verdes”, que considera que “não deve o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial aceitar propostas assentes em níveis de violência que não podem ser negados” e que “a proposta de inclusão da Corrida de Touros em Portugal no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, tem apenas como propósito servir-se do Inventário para tentar dar fôlego a uma prática que tem vindo a perder reconhecimento e adesão e a ganhar desinteresse e oposição”.
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