Águia salva de electrocussão libertada na Lezíria de Vila Franca
- Jorge Talixa

- há 3 horas
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Uma águia-de-bonelli foi, esta terça-feira, libertada na Lezíria Norte de Vila Franca de Xira, depois de vários meses de recuperação devido a electrocussão. O animal foi recolhido pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) em Santo Estevão (Benavente) e esteve em recuperação no Centro de Recuperação de Animais Silvestres (LxCRAS) da Câmara Municipal de Lisboa, numa operação articulada no âmbito do projecto LIFE LxAquila, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA BirdLife).
“A devolução desta águia à natureza é uma boa notícia, mas muitas outras não têm a mesma sorte. Enquanto existirem apoios eléctricos perigosos no território, continuaremos a perder aves ameaçadas para uma causa que é conhecida e evitável”, sustenta Rita Ferreira, técnica sénior de conservação na SPEA BirdLife e coordenadora do projecto LIFE LxAquila.
A águia que agora regressou à natureza é um macho subadulto, nascido em 2023 no Campo de Tiro de Alcochete e equipado com um transmissor GPS no âmbito do projecto LIFE LxAquila. Em Agosto de 2025, a equipa do projecto suspeitou que algo lhe teria acontecido, pois o emissor indicava que a águia permanecia imóvel há mais de 24 horas. Quando foi encontrada no terreno, estava pousada num sobreiro, debaixo de uma linha eléctrica de média tensão, com uma asa descaída.
A ave foi recolhida por vigilantes da natureza da Reserva Natural do Estuário do Tejo e do Parque Natural da Arrábida (ICNF) e levada para o LxCRAS, onde uma extensa avaliação clínica permitiu confirmar que as lesões eram compatíveis com electrocussão. Após vários meses de tratamento e recuperação, está agora de volta ao seu habitat natural. A devolução decorreu numa área de dispersão de juvenis na bacia do rio Tejo, escolhida pela abundância de presas e pelas condições favoráveis à sobrevivência da espécie.
“A mortalidade causada pelas inúmeras infraestruturas nas áreas de nidificação e dispersão da águia-de-bonelli continua a ser uma questão preocupante para a sobrevivência da espécie nesta região. Na semana antes do incidente, este macho estava a iniciar um novo casal com uma fêmea que havia perdido o seu companheiro. Nessa mesma área, já tinha ocorrido a morte de um adulto e de um juvenil, o qual, gravemente ferido, acabou por não sobreviver.
Por isso, é importante garantir a compatibilização da construção destas infraestruturas nas áreas vitais das grandes rapinas, procurando alternativas viáveis e implementando medidas de minimização eficazes”, sublinha Manuela Nunes, bióloga do ICNF, salientando que a recuperação desta águia-de-bonelli “simboliza o que podemos alcançar quando existe cooperação institucional e ciência ao serviço do interesse público”.

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