Quadruplicação ainda gera muitas dúvidas e preocupações
- Jorge Talixa

- 22 de fev.
- 3 min de leitura

A Infraestruturas de Portugal (IP) trouxe novas imagens e até mesmo um vídeo para tentar demonstrar a “bondade” do Projecto de Modernização da Linha do Norte que pretende implementar entre Alverca e a Castanheira do Ribatejo. A sessão de esclarecimento promovida, na quinta-feira, pela Agência Portuguesa do Ambiente em articulação com a Câmara de Vila Franca de Xira foi muito participada.
Alguns reconheceram “melhorias” evidentes nas propostas da IP, mas a maioria continua a colocar muitas reservas a questões como o acesso à margem ribeirinha de Vila Franca e à biblioteca Fábrica das Palavras, os cortes significativos no Jardim Constantino Palha e na Avenida Afonso de Albuquerque (Alhandra), o impacto de seis anos de obras e a falta de estudos sobre eventuais alternativas. Já na próxima terça-feira será a Câmara de Vila Franca de Xira a tomar uma nova posição sobre este tema. A consulta pública do processo de avaliação de impacte ambiental decorre até dia 27.
A sessão de quinta-feira juntou perto de 200 pessoas no Pavilhão do Cevadeiro. Prolongou-se por mais de quatro horas e meia, com largas dezenas de questões colocadas pelos munícipes presentes. Cândida Castro, técnica da IP responsável pelo projecto, deu alguns esclarecimentos, começando por vincar que a futura plataforma com quatro linhas terá cerca de 22 metros de largura e por assegurar que os comboios passarão pelo interior de Vila Franca e de Alhandra a velocidades máximas semelhantes às que já acontecem hoje em dia.
“Embora haja comboios de alta velocidade, eles não vão passar a 250 ou 300 quilómetros por hora. Em vez dos actuais 140 quilómetros por hora passarão no máximo a 160 e, só depois de saírem da zona urbana para Norte é que poderão ir aos 220 quilómetros por hora”, afiançou, admitindo que a maior preocupação dos responsáveis pelo projecto têm sido os impactos nas zonas onde vivem as pessoas.
Depois, Cândida Castro explicou que, em Alhandra, um dos grandes problemas é a falta de estacionamento na zona da estação e que o projecto prevê novos parques com capacidade para 320 lugares. Já para Vila Franca, Cândida Castro observou que está prevista uma nova estação (Norte da actual), que funcionará também como terminal de autocarros. ”Em Vila Franca de Xira estacionar é difícil. Vai haver uma remodelação dos estacionamentos, com um novo silo junto ao bairro dos Avieiros.
Teremos dois parques de estacionamento com bastantes lugares e uma nova estação com tudo organizado como deve ser”, sustentou, referindo que a nova estação terá também uma cobertura ajardinada e passagens de ligação ao Jardim Constantino Palha. Seguiu-se uma fase de questões colocadas por cerca de duas dezenas de participantes. Mário Correia e Olímpia Lambuça, membros do Movimento pela Defesa de Vila Franca de Xira e Alhandra (MDVFXA), questionaram o que está previsto para evitar os problemas de submersão da Linha do Norte que voltaram a verificar-se recentemente.
Cândida Castro afiançou que a Linha será elevada onde for possível fazê-lo. “Sabemos que há cheias, que estamos numa zona de cheias, mas na maior parte dos sítios a linha está mais alta do que a cota de eventuais cheias”, referiu. Olinda Lambuça e José Machado quiseram também saber como é que será feito o socorro em eventuais problemas de saúde que ocorram no cais ou na biblioteca. Cândida Castro e Carlos Fernandes observaram que a circulação de veículos de socorro far-se-á através do jardim municipal.
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