Infecções urinárias: o que todos os pais precisam de saber
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Hospital CUF Santarém
São um problema comum nas crianças, no entanto, não devem ser negligenciadas. O diagnóstico precoce das infecções urinárias é importante não só para um tratamento bem-sucedido, como para evitar complicações futuras. Teresa Gil Martins, Coordenadora de Pediatria do Hospital CUF Santarém, explica quais os factores de risco e os sinais a que os pais devem estar atentos. Não menos importante, revela como prevenir infecções futuras.
As infecções urinárias são muito frequentes nas crianças?
Teresa Gil Martins - Sim, são mesmo das infecções bacterianas mais comuns na infância. Calcula-se que, entre as crianças até aos dois anos que estão com febre, 7% possam ter uma infecção urinária. Durante o primeiro ano de vida, este tipo de infecção é mais frequente nos rapazes. Mas, após essa idade, as meninas passam a ser mais afectadas, por razões anatómicas e fisiológicas. A bactéria E. Coli é a responsável pela maioria destes episódios.
Quais as principais causas que estão na origem destas infecções?
Na maioria das infecções esporádicas, não é possível identificar uma causa. Mas existem alguns factores que facilitam a sua ocorrência. Destacam-se a obstipação, a retenção frequente de urina ou de fezes, urinar poucas vezes por dia, maus hábitos de higiene, inflamação crónica ou repetida da região genital, e doenças crónicas que causam compromisso imunológico. Em situações mais raras, as infecções de repetição ou causadas por bactérias menos usuais podem ser indício de uma malformação congénita do aparelho urinário, a merecer estudo mais detalhado.
A que tipo de sintomas devem os pais estar atentos e a partir de que momento devem procurar ajuda médica?
A febre associada a calafrios e/ou cor azulada das unhas e lábios durante a subida da temperatura constitui um sinal transversal de alerta. Outros sintomas variam com a idade e com a capacidade da criança verbalizar ou não o que sente. Abaixo dos 3 meses de idade, a febre, os vómitos, a irritabilidade ou prostração e a má progressão ponderal (ganho de peso) são as formas mais comuns de apresentação da infecção urinária.
Nas crianças que já conseguem explicar o que sentem, também são sinais de alarme o ardor ao urinar, o aumento da frequência ou a incontinência urinária diurna, assim como a dor abdominal ou lombar. Urina com sangue ou, mais raramente, com cheiro fétido podem igualmente estar associados à infecção urinária. Na presença de qualquer um destes sinais ou sintomas, a criança deve ser observada.
O diagnóstico definitivo é feito através de uma análise específica de urina, a urocultura, cujo método de colheita depende da idade da criança. O Hospital CUF Santarém disponibiliza uma resposta diferenciada, para estas situações. Dispõe de uma equipa de pediatras muito experiente e de uma equipa de enfermagem sensibilizada e com formação específica para recolher a urina pelo método mais adequado a cada idade.
O apoio permanente do Laboratório de Patologia Clínica, que realiza as análises necessárias, é igualmente importante. Destaco ainda a Consulta do Dia de Pediatria, que permite que, quando surgem os sinais de alerta, a criança seja observada no próprio dia por um pediatra.
A que riscos se associam as infecções urinárias, se não forem devidamente tratadas?
Sendo uma infecção bacteriana, requer tratamento antibiótico precoce. Sem essa terapêutica, a infecção pode generalizar-se ou a sua evolução ficar comprometida. Por outro lado, um atraso no diagnóstico e no início da terapêutica aumenta o risco de cicatrizes ou sequelas renais a longo prazo, que poderão vir a ser responsáveis por hipertensão arterial ou compromisso do funcionamento renal.
É possível fazer algum tipo de prevenção, de forma a evitar novas infecções urinárias?
Sim, eliminando os factores de risco e tratando a patologia de base, é possível evitar muitas infecções. Para prevenir a obstipação, é recomendada a prática de exercício físico e a ingestão de muita água, legumes e frutas. Pelo contrário, as bebidas açucaradas, gaseificadas e estimulantes devem ser evitadas. As crianças devem urinar cerca de 5 a 6 vezes por dia e ser incentivadas a não adiar nem reter micções e dejecções.
Por isso, as casas de banho que usam devem estar limpas e facilmente acessíveis. As sanitas devem ser adaptadas ao tamanho das crianças que as usam, para que consigam sentar-se confortavelmente e com os pés apoiados, facilitando o esvaziamento completo da bexiga e dos intestinos. Há também que evitar roupa interior apertada e preferir uma composição 100% algodão.
É igualmente importante ensinar às crianças que a limpeza, após as idas à casa de banho, deve ser feita da frente para trás, e sem recurso a produtos humedecidos. Outro conselho relevante tem a ver com o desfralde, que deve ser promovido o mais precocemente possível. Hábitos de vida saudável, desde cedo, evitam doenças e promovem a saúde.
Consulta do Dia de Pediatria: resposta diferenciada para casos não complexos
O Hospital CUF Santarém tem disponível a Consulta do Dia de Pediatria, dirigida a crianças com doenças sem critério de gravidade, como é o caso das infecções urinárias. Funciona de segunda a sexta-feira, com marcação no próprio dia. A pediatra Teresa Gil Martins destaca a mais-valia deste atendimento:
“A articulação de cuidados entre as diferentes equipas permite uma resposta segura e de qualidade, com muito conforto para as crianças e suas famílias, já que podem realizar todos os procedimentos sem sair do Hospital”.
E se o episódio se complicar?
“Estas consultas não compreendem emergências médicas. Contudo, situações com maior complexidade podem ser referenciadas para o Hospital CUF Descobertas, com o qual o Hospital CUF Santarém trabalha em estreita articulação”, garante a pediatra.
Hospital CUF Santarém, S.A.I Registo ERS E117042 I Licença Nº. 07/11.12 e 3992/2012 I Santarém I NIPC 505410281









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