Hospital reorganiza serviço e quer reabrir urgência
- Jorge Talixa

- há 1 dia
- 3 min de leitura

O conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo (ULSETejo) garante que está a dar passos para reabrir proximamente a Urgência de Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira, que fechou no passado dia 16, no âmbito de uma medida de concentração regional do serviço no Hospital de Loures definida pelo Ministério da Saúde. A USLSETejo revela que contratou quatro novos médicos obstetras (a tempo parcial) nas últimas semanas, que se vêm juntar ao único obstetra do quadro do Hospital que a actual administração encontrou quando tomou posse no final de Novembro.
Para já, segundo o conselho de administração da ULSETejo, a prioridade é reorganizar o Serviço de Obstetrícia e Ginecologia, onde já foram retomadas as cirurgias, onde o número de partos está a aumentar desde Fevereiro e onde foi criado um mecanismo de “consultas abertas”, que pode atender igualmente situações de pequenas urgências. O objectivo é, também, afiança a directora clínica Ana Azevedo, que o número de situações encaminhadas para o Hospital de Loures “seja o mínimo possível”.
A enfermeira-directora, Helena Abrantes, também afirma que a deslocação de uma equipa de enfermeiros (5) da Obstetrícia de Vila Franca para Loures foi “pacífica”, mas na condição de abranger rotativamente todos os enfermeiros do serviço e de se tratar de uma medida temporária, com a perspectiva de reabertura da urgência de obstetrícia em Vila Franca logo que isso se revele possível. A administração da ULSETejo assume mesmo que só teve conhecimento desta decisão de concentração da urgência de obstetrícia em Loures três semanas antes da sua aplicação.
Mas admite que concorda com a medida, porque a urgência obstétrica funcionava em Vila Franca de uma forma muito “errática” e as grávidas tinham dificuldade em perceber com o que contavam. Resta saber qual será a atitude do Ministério da Saúde quando a ULSETejo lhe comunicar que já tem condições para reabrir a urgência de obstetrícia, uma vez que este processo é anunciado pelo Governo como uma primeira experiência de concentração de meios em “urgências regionais”.
A ministra Ana Paula Martins disse, aos presidentes dos cinco municípios servidos pelo Hospital de Vila Franca, que o fecho da urgência obstétrica será uma medida “temporária”, mas a maioria dos autarcas desta região admite que “desconfia” desta afirmação e temem que o temporário se transforme em definitivo e que a estratégia de concentração do Governo venha a implicar também o fecho da maternidade vila-franquense.
Certo é que, num balanço dos primeiros três meses de funções, a administração da ULSETejo admite que a Urgência de Obstetrícia do Hospital de Vila Franca “já há muito tempo que não cumpria” devidamente o seu papel e estava mais tempo encerrada do que em funcionamento, por falta de médicos para preencher escalas. “Para termos uma urgência aberta temos que ter, no mínimo, dois especialistas, mas eram mais as vezes em que isso não acontecia. A urgência estava referenciada, mas estava fechada. Basicamente já não estava a funcionar.
Era impossível um serviço com um médico do quadro (mais tarefeiros) conseguir responder a todas as suas áreas de funcionamento”, constata Nuno Cardoso, presidente do conselho de administração da ULSETejo, explicando que o serviço chegou a ter perto de 20 médicos obstetras no quadro, mas que perdeu muitos profissionais, sobretudo no início do segundo semestre de 2025. “Estamos a trilhar um caminho para voltarmos a ter o serviço de ginecologia e obstetrícia na sua plenitude”, sustenta.
Saiba mais nas edições impressas o Voz Ribatejana









.jpg)




