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Arritmias e insuficiência cardíaca: as razões do coração

  • Divulgação
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Hospital CUF Santarém.


Alterações no ritmo do coração e insuficiência cardíaca são problemas que surgem frequentemente associados: não só podem estar na origem de um do outro, como provocar o agravamento de sintomas interligados. A propósito do Mês do Coração em Portugal, e do Dia Europeu da Insuficiência Cardíaca, que se assinala a 3 de Maio, Nuno Cabanelas, cardiologista no Hospital CUF Santarém, explica as “razões do coração” por trás destas relações e como a Arritmologia pode contribuir para a melhoria da insuficiência cardíaca, enquanto oferece tratamento e controlo para as arritmias.



Voz Ribatejana - Apesar de serem tipos de patologias diferentes, as arritmias e a insuficiência cardíaca acabam por estar com frequência associadas. Qual a ligação entre estas doenças?


Nuno Cabanelas - Há uma grande variedade de alterações no coração que provocam aquilo que se designa por “insuficiência cardíaca”. Qualquer problema cardíaco pode, em última análise, fazer com que o coração não bombeie uma quantidade suficiente de sangue para o organismo. As arritmias encontram-se entre estas alterações.


Por outro lado, a insuficiência cardíaca também pode causar arritmias, uma vez que o ritmo cardíaco pode ser alterado pela presença de praticamente todos os distúrbios do coração. Assim, as arritmias geram insuficiência cardíaca e a insuficiência cardíaca gera arritmias, formando-se um círculo vicioso. 


Significa, então, que tratar uma arritmia pode ajudar a reverter casos de insuficiência cardíaca?


Sem dúvida que pode. Se o sangue não estiver a ser bombeado de forma eficaz, devido ao facto de o coração contrair a uma frequência muito alta, muito baixa ou dessincronizada, poderemos eliminar os sintomas de insuficiência cardíaca resolvendo esses problemas. Ou seja, restaurando frequências normais e uma saudável sequência de contracção.


Ressalvo que, por vezes, nomeadamente nos casos em que há outras alterações estruturais ou funcionais, o tratamento da arritmia não vai eliminar estas condições. Contribuirá, no entanto, para a melhoria, pelo menos parcial, dos sintomas e para um prognóstico mais favorável.


Quais os avanços mais relevantes que têm existido na área da Electrofisiologia e Arritmologia?


Em Arritmologia, o processo de diagnóstico centra-se em documentar a arritmia através da obtenção de um registo do ritmo cardíaco/electrocardiograma, uma vez que arritmias totalmente diferentes podem dar os mesmos sintomas. Os avanços nesta área têm sido espantosos e muito rápidos.


Estão a ser lançadas modalidades, cada vez mais acessíveis, de monitorizar o ritmo cardíaco por forma a detectar arritmias que não dão sintomas, ou que só acontecem esporadicamente, mas que têm consequências. Outro importante avanço é a possibilidade de monitorização remota, dada aos portadores de dispositivos cardíacos (como os pacemakers ou os desfibrilhadores), que permite detectar mais precocemente alterações rítmicas e disfunções desses equipamentos.


Na Electrofisiologia, também tem havido avanços muito significativos. Por exemplo, no tratamento invasivo da arritmia mais frequente na população, a fibrilhação auricular, as intervenções são hoje muito mais rápidas, seguras e eficazes. Isto significa que mais pessoas podem ser tratadas, sobretudo aquelas que, por terem maiores graus de fragilidade e comorbilidades, não podiam anteriormente submeter-se a estes procedimentos.


Qual o impacto destas respostas na qualidade de vida dos doentes?


Diagnosticar de uma forma mais eficaz arritmias que só acontecem de vez em quando, através de dispositivos de monitorização permanente, acelera o tratamento dos problemas e a mitigação das suas consequências. Estas podem ir desde sintomas incomodativos, que alteram a capacidade funcional, a eventos muito graves, como os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) ou mesmo a morte súbita.


Que factores de risco podem potenciar as arritmias?


Existem factores de risco nos quais doentes e médicos podem intervir em conjunto: hipertensão, tabagismo, diabetes, dislipidemia (colesterol elevado), obesidade, sedentarismo, apneia do sono (ainda subdiagnosticada e um factor de risco muito importante para determinadas arritmias), stress do dia-a-dia e alterações do ritmo circadiano. 


Mas há outro tipo de factores de risco que não é possível contrariar. É o caso da idade e da carga genética, com a qual já nascemos. A existência de outras doenças cardíacas também é um factor de risco muito importante para a ocorrência de arritmias.


E a que sinais de alerta é importante estarmos atentos?


Aos sintomas que tipicamente são provocados por arritmias, como as palpitações, os desmaios e as tonturas, mas também à dor no peito. A falta de ar ou um cansaço exagerado para esforços banais são sintomas que podem ser provocados por muitas causas diferentes, mas entre elas estão também as arritmias. Em todos estes casos, é importante medir a frequência cardíaca e a tensão arterial, e procurar ajuda médica.


Hospital CUF Santarém, S.A. | Registo ERS E117042 | Licença nº 07/11.12 e 3992/2012 | Santarém | NIPC 505410281


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