Corte temporário do Sorraia dá polémica na região

18/07/2019

O curso do rio Sorraia está cortado desde o passado dia 24, numa medida que pretende reter água doce de boa qualidade para a rega de mais de 10 mil hectares de culturas da Lezíria Grande. O Tejo já apresentava baixos caudais e água com elevados índices de salinidade e, tal como já aconteceu em 2005 e 2012, a Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX) foi autorizada pela Agência Portuguesa do

 

Ambiente (APA) a fazer esta barreira temporária. Mas a medida está a suscitar muitos protestos de ambientalistas e de alguns autarcas, que consideram que pode originar uma mortandade de peixe. O assunto foi abordado na última sessão de Câmara de Benavente e chegou, já esta semana, à Assembleia da República, onde o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) questionou o Governo sobre o assunto e requereu ao Ministério do Ambiente que

 

“remova com carácter de urgência a interrupção do rio Sorraia e restabeleça as condições naturais do ecossistema”. Já a APA explica, em resposta ao Voz Ribatejana, que está prevista a remoção do açude no final de Agosto, data em que deverá acabar a campanha agrícola. Acrescenta a Agência do Estado que os níveis de salinidade da água utilizável para rega em toda a Lezíria Grande de Vila Franca de Xira chegaram a atingir os 1, 8

 

gramas por litro, quando não devem ultrapassar um grama, sob pena de queimarem/destruírem as culturas. “Açudes de características semelhantes e com os mesmos objetivos foram construídos em 2005 e 2012, sem que à data se tivesse verificado morte de peixe, tendo-se então garantido os níveis de salinidade compatíveis com a rega”, acrescenta a APA, que diz ter inspecionado a zona na passada segunda-feira sem detectar a existência de

 

peixe morto. Joaquim Madaleno, director executivo da Associação de Beneficiários da Lezíria Grande, disse, por seu turno, ao Voz Ribatejana, que a criação deste açude no Sorraia é a única opção para evitar a perda das culturas feitas, em Março e Abril, nos mais de 10 mil hectares da Lezíria Grande. A partir do início de Maio, a ABLGVFX percebeu que a cunha salina (zona onde a água salgada do Atlântico se mistura com a água doce do

 

Tejo) já subia muito para Norte, ultrapassando mesmo a Estação do Conchoso, que é a infraestrutura de captação situada mais a Norte do curso do Tejo. A opção foi, nessa altura, tentar captar alguma água no rio do Risco, que liga o Tejo ao Sorraia, mas essa solução não é suficiente para as necessidades e a Associação de Beneficiários articulou com a APA um pedido de licenciamento da interrupção do curso do Sorraia, para criar uma zona de

 

retenção de água utilizável na rega. “Se não for permitido este corte, isso inviabiliza a agricultura em toda a Lezíria Grande, onde já foram investidos mais de 250 milhões de euros em infraestruturas de rega e onde trabalham perto de 2 mil pessoas. Não há outra forma de assegurarmos a rega destes 10 mil hectares. Sem este açude, as culturas perdem-se”, sustenta Joaquim Madaleno.

 

Saiba mais na edição impressa de 31 de Julho do Voz Ribatejana

 

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