• Jorge Talixa

Alenquer suspende toque das sirenes dos bombeiros


O Serviço Municipal de Protecção Civil e as duas associações de bombeiros do concelho de Alenquer decidiram suspender, pelo menos por 30 dias, os toques de sirene dos quartéis das corporações, porque perceberam o impacto muito negativo que esse som teve em algumas crianças oriundas da Ucrânia que


chegaram nos últimos dias ao município. A medida aplica-se a partir desta quarta-feira, para já por um período de 30 dias, que será reavaliado em Abril. O concelho de Alenquer já recebeu mais de 40 refugiados com origem na Ucrânia e, com esta suspensão do toque das sirenes, a Proteção Civil municipal pretende


“proporcionar algum sentido de paz e tranquilidade aos refugiados ucranianos, dissociando este som das experiências traumáticas que os assolaram nas últimas semanas, em função do conflito armado que decorre no país de origem”. Habitualmente as sirenes dos quartéis de Bombeiros de Alenquer e da Merceana e das


secções de Bombeiros de Olhalvo e da Abrigada tocam ao meio-dia e quando é necessário apelar à vinda de voluntários que ajudem no socorro a situações de emergência como acidentes graves, incêndios ou inundações. “Tudo o que vemos dos cenários de guerra na televisão são os barulhos de bombas e de aviões,


todos eles antecipados pelo barulho das sirenes. Nós associamos o barulho a outros contextos, que não o de guerra. Por carinho e solidariedade com os refugiados ucranianos que têm chegado ao nosso território, no intuito de proporcionar alguma paz e descanso a estas pessoas, decidimos manter as sirenes em silêncio,


permitindo que a cabeça destas pessoas possa dissociar o som do trauma da guerra, que viverá para sempre dentro deles”, sublinha Rodolfo Batista, comandante operacional da Proteção Civil de Alenquer, frisando que foi a reacção traumática de duas crianças refugiadas que levou a Protecção Civil de Alenquer a


equacionar esta medida, que avaliou depois com as corporações de Bombeiros e que teve a concordância do executivo camarário. “A nossa realidade convive com as sirenes ao meio-dia, diariamente, mas foi-nos relatado um momento menos bom, após o toque da sirene, em que duas crianças refugiadas não reagiram


da melhor maneira, como se compreende. Foi esse o clique que nos fez pensar e executar esta proposta, que foi devidamente articulada com o executivo municipal”, assegura Rodolfo Batista, vincando que as sirenes vão continuar a tocar em situações de risco ou emergência.


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