870 assinam contra ruído dos aviões
- Jorge Talixa
- 23 de jul. de 2024
- 3 min de leitura

Mais de 870 pessoas já subscreveram uma petição online que reclama a intervenção da Assembleia da República para minimizar o problema do ruído dos aviões, que se agravou sobremaneira, nos últimos dois meses, no sul do concelho de Vila Franca de Xira. “Após a mudança de 16 de Maio, data em que o ponto de distribuição das rotas foi colocado junto da Póvoa de Santa Iria, constatou-se um aumento brutal de 6 vezes no número de aviões que passaram a sobrevoar a zona (cerca de mais 75 000 aviões por ano, e com tendência para aumentar...), o tráfego aéreo tornou-se contínuo.
Um flagelo com intervalos por vezes inferiores a três minutos que acontece diariamente, com início na madrugada e prolongando-se por todo o dia até pelo menos à meia noite, dia após dia, castrando a possibilidade de descanso físico e mental da nossa população”, refere a petição, sublinhando que, com esta “nova conjuntura” de “sobrevoos a baixa altitude e constantes sobre um núcleo habitacional de cerca de 100 000 habitantes”, a vida dos moradores do concelho de Vila Franca de Xira transformou-se “num inferno”.
Uma situação, alerta o documento, que poderá ter impactos a médio/longo prazo na saúde pública, “quer pelo ruído agressivo constante, muito provavelmente acima do que é permitido por Lei, como também pelas partículas ultrafinas libertadas pelos aviões, que, como, publicamente, explica a responsável pelo sector da aviação da associação Zero, são mil vezes inferiores a um cabelo humano e penetram mais facilmente e instalam-se a maior profundidade no corpo humano”. Os autores da petição afirmam, ainda, que este novo sistema implantado pela NAV Portugal, conhecido por “Point Merge”, visa reduzir o atraso dos voos do Aeroporto de Lisboa.
“Até 15 de Maio de 2024, e durante muitos anos, os "corredores" aéreos utilizados nas partidas com direção Norte eram, na grande maioria das vezes, via Mouchão da Póvoa de Santa Iria ou via Vale de Loures, e os aviões que se dirigiam para Oeste, bem como na direção Sul, eram colocados logo após a descolagem, a sobrevoar o estuário do Tejo, onde o impacto era francamente reduzido, por essas zonas não terem densidade populacional”, observa a petição, constatando que “estes procedimentos visavam evitar a passagem dos aviões sobre núcleos densamente povoados e em constante desenvolvimento demográfico” e reclamando a sua reposição.
Já a NAV Portugal diz que as alterações introduzidas a partir de 16 de Maio foram motivadas por razões ambientais e de segurança. De acordo com a empresa pública, o novo sistema tem como objectivo levar “ao afastamento das rotas de chegada e das 'zonas de espera' das aeronaves das regiões mais populosas da região de Lisboa, colocando-as ainda a uma altitude mais elevada, reduzindo o impacto visual e sonoro do sistema aeroportuário como um todo”.
Nesse sentido, fonte oficial da NAV acrescenta que, “das mudanças promovidas não resultaram quaisquer alterações ao nível das aproximações finais (a partir de 4.000 pés), nem tal era possível, já que as rotas a partir deste ponto dependem só e apenas da localização do aeroporto”. Já em relação às Descolagens no sentido Sul-Norte, segundo a NAV, “à exceção da criação de uma nova rota de saída para Oeste, em direção ao Oceano, as rotas sofreram alterações mínimas, alterações essas que em caso algum teriam um impacto da escala referida”.
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