A “força” dos carros a vapor

Os carros a vapor tiveram muita importância, sobretudo na transição do século XIX para o século XX. O primeiro foi construído em 1854 e, até à década de 1920, rivalizaram com os carros a gasolina. No começo do século passado, o automóvel renuncia a ser “um trem sem cavalos” e adquire “a linha” que lhe é peculiar. O novo aspecto do automóvel fere a imaginação de todos e transforma-se em afirmação de snobismo dos aristocratas e num indício expressivo de distinção. As carruagens puxadas a quatro cavalos são substituídas pelos Mercedes,

 

Fiat, Renault, Cadillac, etc: O automóvel torna-se adulto. Já é possível viajar-se em estradas a 100 Km/hora e galgar subidas com a inclinação de 6%. Um antepassado do automóvel moderno construiu-se em 1854. Vincenzo Bordino, que aplicou uma caldeira a carvão na parte de trás de um “landau”, carruagem puxada por uma parelha de cavalos. Este veículo podia percorrer, em 1 hora, 8 Kms de estrada plana, com o consumo de cerca de 30 Kgs. de carvão. A fábrica de automóveis White, fundada em 1902, em Cleveland (Estados Unidos da América do Norte),

 

produziu, até 1910, carros a vapor, que era gerado pelo aquecimento de água por acção do calor de um fogareiro de petróleo, colocado por debaixo do assento. Este carro podia percorrer cerca de 250 Kms, com 50 litros de água e outros tantos de petróleo. Em 1910, a White deixou de fabricar carros a vapor e dedicou-se, com notável sucesso, à produção de veículos a gasolina. Mesmo depois do sucesso do motor de combustão interna, o homem não desistiu do vapor como meio de propulsão para o automóvel. Na década de 1890, tinha sido percorrido um longo caminho desde o veículo de Cugnot. Tinha-se progredido tanto, de facto,

 

que, ao dobrar o século, em muitas regiões os carros a vapor eram superiores em número aos carros a gasolina. Os construtores tinham resolvido muitos dos problemas que intrigaram Cugnot e os seus sucessores durante mais de 100 anos. Eram rápidos e silenciosos. Por vezes receava-se que as caldeiras pudessem rebentar, mas tal nunca aconteceu. Os mecanismos de um carro a vapor eram o protótipo da simplicidade. Uma caldeira de ferro era aquecida por um queimador de petróleo, que, por sua vez, era mantido aceso por uma chama piloto alimentada a gasolina. Mesmo que esta fosse mantida sempre acesa, 4 litros de gasolina chegavam para um dia inteiro.

 

O consumidor principal consumia 4 litros em cada 16 quilómetros. A caldeira transformava a água em vapor, que, por sua vez, movia uma máquina de dois cilindros. Esta actuava directamente na engrenagem da tracção. Uma alavanca no volante comandava a velocidade do carro. Puxava-se para cima devagar para iniciar a marcha, mais para cima para maior velocidade ou para vencer subidas, e impelida para baixo diminuía a velocidade. Um travão de pé fazia-o parar e um pedal de marcha atrás fazia inverter a marcha, que era tão rápida como para a frente.

Havia inconvenientes, sem dúvida. Consumia apenas gasolina pura.

 

Para elevar a pressão do vapor até ao ponto em que podia fazer funcionar a máquina, significava, por vezes uma espera de meia hora ou mais depois de o queimador principal ter sido aceso. Numa máquina a vapor com caldeira do tipo de depósito mantinha, frequentemente, a chama piloto acesa durante todo o tempo, de modo a poder ser utilizada por alguns minutos depois de ter sido ligado o queimador principal. Uma máquina com caldeira instantânea levava escassos minutos a começar a trabalhar. Os queimadores e as caldeiras tinham de ser limpas frequentemente, o que era um serviço muito desagradável pela sujidade que envolvia.

 

Na estrada, o condutor tinha de vigiar constantemente a pressão e o nível de água. Os modelos primitivos obrigavam a paragens de 40 em 40 quilómetros mais ou menos para reabastecimento de água. Mais tarde começaram a ser usados condensadores para transformar o vapor utilizado em água, de modo a esta ser novamente vaporizada. Isto tornava possível que a água do primeiro abastecimento durasse cerca de 320 quilómetros. Ainda na década de 1920 se fabricavam automóveis a vapor, quando os automóveis a gasolina já eram baratos.

 

Os automóveis a vapor não eram produzidos em série pelo que ficavam muito caros, tendo-se o público desinteressado deles. Existem ainda construtores que estão convencidos de que, com a aplicação da tecnologia moderna, se podem construir carros a vapor que ultrapassem os mais modernos carros a gasolina. Os motores a vapor, que queimavam o combustível fora dos cilindros, abriram caminho aos motores de combustão interna. Ao utilizar como combustível gasolina em vez de gás, conseguiu-se que o motor dispusesse de uma alimentação de carburante independente a partir de então, pôde converter-se em objecto móvel.

 

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