• Jorge Talixa

SAD do Vilafranquense já não acredita no avanço do estádio


Henrique Sereno em entrevista


A Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Vilafranquense tem ambições e quer sonhar com a luta pela subida à I Liga. Em entrevista ao Voz Ribatejana, Henrique Sereno, antigo central internacional português que preside à SAD de Vila Franca, admite que esse objectivo não poderá ser alcançado nas actuais condições, com a equipa a andar constantemente de “casa às costas”.


Para a nova temporada o objectivo será a manutenção na II Liga. Para os anos seguintes, descrente no avanço de um estádio em Vila Franca, Henrique Sereno admite todos os cenários, incluindo a possibilidade de mudar a base deste projecto de futebol profissional para outra localidade.



Voz Ribatejana – Quais são os objectivos fundamentais da SAD do Vilafranquense para esta temporada?


Henrique Sereno - Devido às nossas dificuldades em não podermos ter aqui o apoio dos adeptos, o nosso objectivo principal passa sempre pela manutenção. Não podemos pensar sequer noutra coisa, porque não temos condições para. Mas estou convicto de que este ano temos uma boa equipa para fazer uma época tranquila e, quem sabe, chegar aos cinco primeiros lugares.


Por que é que o plantel foi tão reformulado em relação à época anterior?


É normal nesta II Liga, acontece com 80 por cento das equipas. Nós, no ano passado, infelizmente, tínhamos descido de divisão e na secretaria conseguimos o lugar em que o Vilafranquense merece estar. Nessa altura fizemos uma equipa em três semanas.


Foi uma equipa feita em cima da hora em que aqueles jovens em que nós sabemos que temos possibilidades para o futuro não foram conseguidos nesse tempo.


Este ano, já conseguimos alguns. O Vilafranquense tem aqui muitos jovens e aí sim vamos fazer uma equipa para termos uma espinha dorsal já para o ano podermos apostar forte no que quer que seja.


Mas vai ser uma época de risco com tantas mudanças na equipa?


Todas as épocas são épocas de risco. Ainda mais num clube como este que vive sempre com a casa às costas e em que vamos jogar fora toda a época. Mas estou convicto de que fizemos as coisas certas, tanto com o treinador como com os jogadores.


O plantel está de alguma forma completo ou ainda haverá necessidade de mais alguns reforços?


Os plantéis nunca estão completos. Até à última hora tido pode acontecer.


Onde?


Em qualquer posição.


A defesa parece que foi a área em que se mexeu mais?


Foi. E é se calhar a área em que ainda temos que mexer. Nunca se sabe.


Já me falou no problema de andar sempre de casa às costas. Tem a expectativa de que ao longo desta próxima época pelo se comece a desenhar a concretização da obra do estádio?


Nenhuma.


Porquê?


Porque já foi tudo posto em cima da mesa e voltou para trás. E, agora, já não acredito em nada. Se vier, muito bem, fico agradecido e contente.


Receia que seja uma coisa que nunca se resolva?


Exactamente.


Acha que é falta de vontade da Câmara?


Não. São políticas que eu tenho que respeitar. E cabe-nos a nós só lutar por outra coisa melhor.


Admite que o futebol profissional não seja uma prioridade em Vila Franca ou acha que o Município devia ter em conta o contributo que o futebol pode dar para a imagem da cidade e para a dinamização do comércio local?


Acho que fazia todo o sentido para esta cidade. Estamos a fazer um jogo treino, só o anunciámos esta semana e temos a bancada cheia. Imagine um clube grande que venha aqui jogar, que encha a cidade. Para o comércio é bom. A cidade é conhecida agora a nível nacional pelo Vilafranquense também. Não era.


Era só conhecida pela praça de toiros. Hoje as pessoas podem vir aqui também conhecer um clube de futebol. E acho que isso é importante. As pessoas têm que perceber que o futebol é o desporto número 1 mundial e que é a modalidade mais popular. E, então, têm que apostar aí.


Até onde pode ir a colaboração da SAD na resolução dessa questão?


Ao princípio só queríamos um terreno para construirmos, nós construíamos o estádio. Falou-se nisso, mas não nos deram. Depois, chegámos a um acordo com o presidente Mesquita, foi tudo feito. E, infelizmente, não passou na Câmara.


Passou, foi inclusivamente aprovado um empréstimo de 2,6 milhões de euros.


Exacto. Passou, mas voltou para trás.


Nas reuniões que tem tido com este executivo camarário não vê sinais de andamento do processo?


Não.


Não é uma prioridade, há outras questões?


Exactamente. E entendo, não tem problema nenhum.


Chegou a colocar-se a hipótese do estádio do Alverca, por que é que não avançou?


Nós não tínhamos problema nenhum em jogar em Alverca, como lhe disse. Só que não houve um acordo entre nós, o Alverca e a Câmara. Não depende de nós. Por nós, íamos jogar para o Estádio do Alverca sem problemas nenhuns. Apesar de que seriam precisas muitas obras naquele estádio para ser licenciado pela Liga. Não é assim uma coisa muito fácil.


O presidente do Alverca chegou a dizer-nos que colocava algumas reservas mas não seriam definitivas. Foi pelo Alverca ou pela Câmara que as coisas não avançaram?


Quando falei com o presidente do Alverca não havia nenhuma reserva. Era só uma questão de nos entendermos com a Câmara. Fomos à Câmara, a Câmara deu o ok. A partir daí não deu nada. Já não é da nossa responsabilidade. Nós tentámos.


Falou-se, na parte final da época passada, que poderia haver o risco de mudança dessa SAD para outra localidade desta região. Falou-se inclusivamente de Santarém. Isso pode acontecer no futuro, uma mudança desta SAD para outra localidade e uma associação com outro clube?


Nós somos um SAD profissional, queremos um local profissional para estarmos e para podermos sonhar com a subida à 1a. Divisão. E eu vou fazer de tudo para conseguir isso. Para já em Vila Franca. O futuro não se sabe.


Se não acontecer em Vila Franca em qualquer lado pode acontecer?


Em qualquer lado pode acontecer.


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