PS rompe acordo com a CDU na Câmara de Benavente

A Concelhia do PS de Benavente anunciou, na semana passada, que o seu vereador renuncia aos pelouros que tinha há 3 anos na Câmara benaventense, posição confirmada por Joseph Azevedo na reunião de dia 7. O presidente da Câmara, Carlos Coutinho, afirma que esta decisão insere-se já numa estratégia do PS para as autárquicas de 2025.
O PSD critica a “cumplicidade” mantida entre socialistas e comunistas em Benavente. Em causa podem estar uma revisão orçamental para obras de 15 milhões na habitação social que foi chumbada na Assembleia Municipal e a própria aprovação do orçamento municipal para 2025.
Carlos Coutinho redistribuiu, entretanto, os pelouros que “pertenciam” a Joseph Azevedo pelos três eleitos da CDU na Câmara. Este desenlace veio juntar-se ao chumbo, na última sessão da Assembleia Municipal de Benavente, da proposta de 4ª Revisão do Orçamento para 2024, anteriormente aprovada na Câmara com votos favoráveis de CDU e PS.
Na Assembleia Municipal, PSD (sete eleitos) e Chega (três) votaram contra e PS e Candidatura Independente abstiveram-se. Como consequência, os nove votos favoráveis da CDU não foram suficientes para fazer passar uma revisão que, entre outras questões, criava condições para nove candidaturas a fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) de obras para construção e reabilitação de 166 fogos de habitação social.
A Concelhia do PCP reagiu, no dia 3, acusando a oposição de “pôr em causa” a possibilidade de obter cerca de 15 milhões de euros de fundos do PRR e de criar condições para responder às necessidades de habitação de famílias carenciadas.
As votações são bem demonstrativas de que os interesses das populações não são a prioridade face às estratégias partidárias que apenas visam sabotar a gestão CDU”, acusou o PCP, manifestando a expectativa de que esta mesma proposta de revisão orçamental tenha um destino diferente numa nova sessão da Assembleia Municipal a convocar nas próximas semanas.
Também a Concelhia do PS “lamentou profundamente” esta reprovação da 4º Revisão do Orçamento da Câmara. “Esta decisão é irresponsável e coloca em risco de acesso de dezenas de famílias à habitação social, um projecto crucial para o bem-estar da nossa comunidade”, constata a estrutura local do PS, referindo que optou pela abstenção “reconhecendo que os projectos têm tido uma grande demora na sua elaboração por parte da Câmara”.
Dias depois, o PS de Benavente anunciou a renuncia aos pelouros, afirmando que a CDU não cumpriu vários pressupostos do acordo de 2021. Carlos Coutinho reagiu, assegurando que todas as questões colocadas estão em desenvolvimento e acusando os socialistas de estarem a seguir uma estratégia de “cariz eleitoralista”.
A Concelhia do PSD (segunda força mais votada no concelho nas últimas autárquicas) pronunciou-se, também, no dia 4, com o presidente da Concelhia, Luís Feitor, que é também vereador, a afirmar que PS e CDU são “os principais responsáveis pelo atual atraso no desenvolvimento do concelho de Benavente” e que, “ao fim de três anos de silêncio e cumplicidade”, o Partido Socialista vem, agora, anunciar que renunciou aos pelouros na Câmara de Benavente, “rompendo um acordo que existe desde o início deste mandato, ajudando a sustentar uma governação cada vez mais esgotada e errática do Partido Comunista”.
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