• Jorge Talixa

“As necessidades de sangue são constantes”


Presidente da Associação de Dadores da Póvoa em entrevista

A Associação de Dadores Benévolos de Sangue da Póvoa de Santa Iria (ADBSPSI) é um exemplo na sua área de actividade, assumindo-se como uma das mais dinâmicas nos planos regional e nacional. Em entrevista ao Voz Ribatejana, Nuno Caroça, presidente da direcção da ADBSPSI, realça a adesão excepcional às acções de recolha promovidas nesta fase de pandemia e a segurança com que a associação tem organizado todas estas colheitas.


Voz Ribatejana - Até que ponto a pandemia tem condicionado a actividade da Associação de Dadores Benévolos de Sangue da Póvoa de Santa Iria e o que é que a direcção da ADBSPSI tem procurado fazer para minimizar os receios dos potenciais dadores e o risco de quebra na sua participação?


Nuno Caroça - A nossa atividade nunca foi suspensa, pois as necessidades de sangue são constantes, com vidas humanas a dependerem disso, tínhamos a obrigação de manter a nossa atividade, mesmo que, enquanto indivíduos, receássemos pelo desenvolvimento da Pandemia. Assistimos à desmarcação em massa de muitas colheitas, pelo facto dos promotores se mostrarem indisponíveis para as realizar,


temendo pela sua segurança. Para nós nunca foi opção, não só não fizemos, como intensificámos a promoção, criámos as condições e prestámos todos os esclarecimentos necessários para transmitir a confiança necessária a dadoras e a dadores de que a doação de sangue era segura, traduzindo-se numa adesão excecional às Colheitas de Sangue. Muitas pessoas só saíram do confinamento para doar sangue,


demonstrando um verdadeiro espírito de solidariedade e um humanismo extraordinário, preocupadas mais com os outros, do que consigo próprios, pois apesar de termos conseguido assegurar a segurança necessária na realização da dádiva, o risco de contrair Covid-19 seria sempre maior fora de casa, e isso não as impediu de dar um pouco de si para salvar vidas. Por exemplo, em maio de 2020, em período mais crítico da pandemia, chegámos a ter colheitas com mais de 90 pessoas presentes.


Nas acções de recolha estão asseguradas todas as condições de segurança sanitária?


Sim. Para assegurar as condições de segurança necessária, incluindo as sanitárias, a pandemia obrigou-nos a concentrar praticamente todas as Colheitas na Sede da Associação, devido à suspensão da utilização das unidades móveis, por nestas não se conseguir assegurar no seu interior o distanciamento mínimo necessário, preservando assim a segurança de dadores e profissionais. Estas são normalmente utilizadas nas recolhas


agendadas no Centro Comercial Serra Nova e na vila de Alhandra. Existiram novos procedimentos implementados nas nossas ações, cumprindo com as normas da Direção-Geral de Saúde e do Instituto Português de Sangue e Transplantação, como, por exemplo, a redução do número de pessoas nas instalações, o controlo de temperatura à entrada, assegurar o distanciamento social, a constante desinfeção


e limpeza, antes, durante e depois das Colheitas. Houve também a preocupação, nos primeiros meses da Pandemia, de resguardar os nossos voluntários de mais idade. Até ao momento não existiu uma única situação no conjunto de todas as Colheitas de Sangue promovidas em Pandemia, por onde passaram mais de 2 000 pessoas.


Como é que têm evoluído as doações e a adesão de novos sócios à ADBSPSI nestes últimos dois anos?


O crescimento nestes últimos anos tem sido sustentado, após termos há uns anos aumentado consideravelmente o número de Colheitas de Sangue, após termos a certeza que teríamos a capacidade de trabalhar para se atingirem números que justificasse os recursos alocados do Instituto Português do Sangue, para que as mesmas se realizassem. Em 2020, realizámos 33 Colheitas de Sangue,


com 1 461 dadores inscritos, desses resultaram 1 207 unidades de sangue recolhidas, pois há pessoas que se prontificam a doar sangue, mas por algum motivo de saúde (terem realizado uma extração de dentes há pouco tempo ou terem feito uma tatuagem recentemente, por exemplo) ficam impedidas temporariamente de doar sangue. Em 2021, até à data de hoje, já ultrapassámos as 900 inscrições, resultando em cerca de 800


unidades de sangue válidas, sendo expectável que de acordo com as sessões agendadas consigamos atingir números idênticos aos do ano passado. Estamos focados na angariação de novos dadores e na manutenção dos existentes, e não tanto de sócios, embora neste campo, a quotização é sempre uma importante fonte de receita, e, claro, novos sócios são também sempre bem-vindos.


Os mais jovens são sensíveis a esta matéria ou é algo que ainda lhes passa um pouco ao lado?


Muitos jovens estão desde logo sensibilizados para a Dádiva Benévola de Sangue por terem familiares próximos que são dadores, outros despertam para esta Causa, pela sensibilização que realizamos, seja pela divulgação nas Redes Sociais, seja, por ações que desenvolvemos nas Escolas. Desde há alguns anos sensibilizamos os mais jovens e restante Comunidade Escolar, incluindo as famílias,


com sessões de Colheitas nas Escolas na Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Santa Iria de Azóia, em que previamente há um trabalho de promoção, envolvendo as Direções dos Agrupamentos, os professores, as Associações de Pais e a Comunidade em geral e que têm permitindo alcançar excelentes resultados imediatos e que se refletem para o futuro, criando novas gerações de dadores.


Estas ações foram temporariamente suspensas durante a Pandemia, e retomaremos em 2022. Os mais jovens são de facto sensíveis à doação de sangue, e é frequente assistirmos a jovens com 18 anos feitos há pouquíssimo tempo, que com orgulho efetuam a sua primeira doação de sangue. Conseguimos em 2020, 157 dadores que doaram sangue pela 1ª vez e em 2021, já estamos com 142 novos dadores inscritos, em que 95% têm idades entre os 18 e os 30 anos.


Tendo em conta a evolução da pandemia e a redução das restrições, qual é o plano de trabalho da ADBSPSI até final deste ano?


Ainda não está prevista a utilização das Unidades Móveis nos próximos meses, as Sessões de Colheita de Sangue serão realizadas em instalações físicas, portanto, entre setembro e dezembro teremos 8 Colheitas na Sede da Associação e 1 Colheita na Delegação da Junta de Freguesia no Forte da Casa. De acordo com a evolução das reservas nacionais de sangue, poderá existir mais uma ou outra sessão na nossa zona


geográfica de atuação. A Sede da Associação tem funcionado como um verdadeiro Posto Avançado do Centro Regional de Sangue de Lisboa, e uma Colheita de Sangue promovida pela Associação tem sido garantia de se alcançarem os resultados expectáveis, rentabilizando da melhor maneira, os recursos do Ministério da Saúde afetos à sua realização. Isto deve-se ao nosso trabalho de promoção e à Comunidade estar muito sensível a esta Causa, recetível aos nossos apelos e dizerem sempre presente.


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